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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

ConfrarIlha: Uma Reunião de Nobres

Nada acontece por acaso. Nem o próprio acaso. E não é por mero acaso que um grupo de pessoas se reúne com severa regularidade porque assim lhes dá prazer. Não é por acaso mesmo. Na verdade, o sentimento de fraternidade, de admiração e de respeito mútuo que um sente pelo outro solidifica o que se pode definir como amizade verdadeira. Assim somos nós: amigos de fé nos momentos bons, nas horas difíceis, na alegrias e nas tristezas, nos sucessos e nos fracassos. Nada há de nos separar porque forjamos nossa amizade em bases sólidas, sem mentiras, sem invejas e sem qualquer interesse que não seja o bem estar de cada um. Mas nos momentos em que nos reunimos apenas um sentimento nos toma por completo: a satisfação de estarmos juntos mais uma vez.

A Ilha do Governador, a nossa Ilha, hoje muito longe de ser o paraíso de outrora foi, sem a menor dúvida, a grande responsável por sermos assim. Tradicionalmente sempre fomos, primeiro da Ilha, depois cariocas. O mar, a ponte, a Estrada do Galeão eram as nossas fronteiras. A partir delas o mundo era outro. O nosso englobava o Jequiá, o Iate, o bonde, o cinema da Ribeira, as peladas de rua e os banhos de mar numa Baía de Guanabara ainda limpa. Quando nos tornamos gente as barcas já não mais existiam, mas o seu retorno tornou a Ilha mais Ilha.

Infelizmente aquela Ilha já não existe, mas as sua influência nos marcou para sempre. Por isso somos assim: juntos, justos, nobres e coerentes. Cada um de nós tem sua própria vida, suas próprias manias, seus medos e desejos, mas o sentimento de fraternidade é o mesmo.

A ConfrarIlha é a nossa síntese. Temos absoluta certeza de que somos invejados e nos sentimos orgulhosos por isso. Se existissem outras confrarias semelhantes por aí, com certeza o Rio seria muito melhor. Mas é bom que se diga também que, a partir das nossas reuniões, os confrades tiveram a oportunidade de mostrar seus dotes culinários. Alguns com bossa, outros nem tanto. Não importa: nada que um bom cuba-libre, uma cerveja geladíssima ou um bom scotch não disfarce.

Em resumo, somos nobres. Sem fortuna, é claro, mas nobres de verdade.

TioPaulinho